Altar
Caminhava, o parque com árvores e pequenos lagos. Um mundo que parecia mais esconder do que mostrar: as folhas tinham suas sombras, sob as águas quiçá bichos de outras realidades. Então, parou. E, em grego, pronunciou o hino órfico:
Protógonon kaléo difyí, mégan, aitheróplankton, oiogení, chryséaisin agallómenon pterýgessi, tavrovóan, génesin makáron thnitón t’ anthrópon, spérma polýmniston, polyórgion, Irikepaíon, árriton, krýfion roizítora, pamfaés érnos, ósson ós skotóessan apimávrosas omíchlin pánti dinitheís pterýgon ripaís katá kósmon lamprón ágon fáos agnón, af’ oú se Fánita kiklísko idé Príipon ánakta kaí Antávgin elíkopon. Allá, mákar, polýmiti, polýspore, vaíne gegithós teletín agían polypoíkilon orgiofántais.
Então, uma linha da cor da lua começou a divisar lentamente o seu corpo, enquanto a noite se tornava um escuro breu. Clarões de relâmpago mostravam agora o terreno como quadros de uma exposição a céu aberto… Um raio rasga à sua frente, repentino. Ajoelha-se tremendo, a boca seca, o chão se aprofundando… E tremia ainda quando o novo clarão fazia ver um carvalho caído e decepado.
O mundo era agora um sacrifício e também altar.

